Feijó: Um sobrenome poderoso no futebol brasileiro

Felipe Feijó / Gustavo Feijó
Felipe Feijó / Gustavo Feijó

Mais de R$ 6 milhões em verba pública em um único ano.
Recursos oriundos de emendas parlamentares.

Junte isso a uma estrutura que dificulta o rastreamento do dinheiro e você tem uma engrenagem eficiente de captação de recursos — com menor exposição a bloqueios por dívidas e com transparência reduzida, segundo especialistas em governança esportiva.


O comando da engrenagem

No centro desse sistema está Felipe de Omena Feijó, 35 anos.

Presidente da Federação Alagoana de Futebol (FAF) há 12 anos, ele herdou o cargo do pai, Gustavo Feijó, e se tornou, aos 23, o mais jovem dirigente de federação do país.

Hoje, o pai ocupa um dos postos mais estratégicos da CBF: Diretor de Futebol Masculino.
Com passagem por diferentes gestões e sobrevivendo a sucessivas crises internas, Gustavo consolidou poder nos bastidores do futebol brasileiro.


O caminho dos recursos

Em 2017, Felipe criou o Instituto FAF de Potencial Pleno (IFPP).
Na prática, uma entidade privada por onde passam recursos que iriam diretamente para a federação.

Em 2022, surgiu um segundo braço: o IFAGP.

Embora esse tipo de estrutura não seja ilegal, especialistas apontam que ela pode reduzir a transparência e dificultar o controle sobre o dinheiro.

O próprio estatuto do IFPP deixa claro seu papel: receber e gerenciar recursos em nome da federação.


Dívida e “blindagem”

A FAF acumula mais de R$ 6,2 milhões em dívida ativa.
Em tese, isso poderia levar a bloqueios judiciais.

Na prática, os institutos funcionam como um “atalho”: movimentam recursos fora do alcance direto dessas obrigações, deslocando parte da operação financeira.


O precedente: acusação de fraude

Um modelo semelhante já foi alvo do Ministério Público no Maranhão.

Na ocasião, o uso de instituto para gerir recursos da federação foi classificado como:

  • falta de transparência
  • confusão patrimonial
  • desvio de finalidade
  • possível fraude

O MP foi além: chamou a estrutura de “artificial”, criada para contornar controles financeiros e ocultar patrimônio.


Menos controle, mais dinheiro

Quando o dinheiro passa por federações, há mecanismos formais de fiscalização:
assembleias, auditorias e controle institucional.

Mas ao entrar por institutos privados, parte desse controle deixa de atuar diretamente.

O resultado é simples: menos escrutínio sobre o uso dos recursos.


Milhões via emendas parlamentares

Só em 2024, mais de R$ 6,3 milhões foram destinados via emendas parlamentares estaduais em Alagoas.

Entre os valores:

  • R$ 2,6 milhões (Dudu Ronalsa)
  • R$ 1,3 milhão (Delegado Leonam)
  • R$ 1,2 milhão (André Silva)
  • R$ 994 mil (Gilvan Barros Filho)
  • R$ 200 mil (Antônio Albuquerque)

Além disso, há recursos adicionais via convênios e repasses da própria CBF, que somaram mais de R$ 2,1 milhões no mesmo período.


Dinheiro público fora da federação

Parte relevante desses valores não entra diretamente na FAF, mas nos institutos ligados à estrutura.

Na prática, isso cria um fluxo paralelo de recursos públicos.


Empréstimos do próprio presidente

As contas da federação revelam outro ponto sensível:
Felipe Feijó emprestou dinheiro à própria entidade que preside.

  • R$ 463 mil em 2023
  • R$ 563 mil em 2024

Total: mais de R$ 1 milhão a receber da própria FAF.

Sua irmã, Mariana Feijó, também aparece como credora, somando R$ 160 mil.


Poder que atravessa crises

Apesar de um histórico marcado por denúncias na política e no futebol, Gustavo Feijó segue ocupando posição central na CBF.

Seu histórico inclui acusações de desvio de recursos públicos quando foi prefeito de Boca da Mata, além de investigações por corrupção e organização criminosa.

Ainda assim, permanece influente.


Bastidores e decisões

Um episódio recente ilustra esse poder: após a eliminação da seleção sub-20, o técnico Ramon Menezes foi demitido diretamente por Feijó — sem consulta formal à presidência.

A repercussão negativa obrigou a CBF a emitir nota justificando a decisão.


Ligações com escândalos internacionais

O histórico se estende além do Brasil.

Um ex-sócio de Gustavo Feijó em empresa de agenciamento esteve envolvido no escândalo “Apito Dourado”, em Portugal — caso de manipulação de resultados e suborno de árbitros.

As investigações apontaram intermediação de vantagens financeiras e até oferta de prostitutas para influenciar partidas.


O padrão que se repete

No fim, o modelo se sustenta em três pilares:

  • poder familiar consolidado
  • estruturas paralelas para movimentação financeira
  • grande volume de recursos públicos

Uma combinação que, embora não necessariamente ilegal em todos os pontos, levanta questionamentos claros sobre transparência, governança e controle.

Comentários

  1. Tudo dentro dos conformes brasileiro. Kkkkk

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  2. Todos os dias eu me pergunto: Como pode o povo decente e honrado de Boca da Mata eleger um gangster destes prefeito da cidade e o que ainda é pior votar em que ele apoia.

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