Tribunal de Contas rejeita contas do Boca da Mata Prev referentes a 2018
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| Gustavo Feijó / Valter Acioli (prefeito e vice em 2018) |
O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL) decidiu pela rejeição das contas do Instituto de Previdência do Município de Boca da Mata (Boca da Mata Prev), relativas ao exercício financeiro de 2018. A decisão consta no Acórdão nº 98/2023 e aponta uma série de irregularidades na gestão da época.
O que foi analisado
A análise trata da prestação de contas sob responsabilidade do então gestor Antônio Marx Almeida Leite, com base em relatórios técnicos, pareceres e documentos apresentados ao TCE.
Segundo o relatório (páginas 2 e 3), houve ausência de documentos essenciais, o que já comprometeu a avaliação completa das contas e levantou indícios de inconsistências.
Principais problemas encontrados
1. Déficit orçamentário e arrecadação insuficiente
Os dados mostram um cenário preocupante:
Receita prevista: cerca de R$ 6,15 milhões
Receita arrecadada: aproximadamente R$ 4,04 milhões
Insuficiência de arrecadação: mais de R$ 2,1 milhões
Déficit orçamentário: cerca de R$ 2,28 milhões
Essas informações aparecem detalhadas nas páginas 3 e 4 do documento.
Ou seja, o instituto arrecadou muito menos do que o esperado, mas manteve despesas elevadas, gerando desequilíbrio financeiro.
2. Abertura irregular de créditos adicionais
Foi identificada a abertura de créditos suplementares sem a devida cobertura legal, no valor de aproximadamente R$ 1 milhão, violando a Lei nº 4.320/64 (página 5).
Isso significa que recursos foram utilizados sem comprovação adequada de origem.
3. Resultado financeiro negativo
A execução financeira também foi considerada deficitária, com resultado negativo superior a R$ 1,6 milhão (página 5).
Além disso, houve:
Uso de saldo de caixa de anos anteriores para cobrir despesas
Indícios de descontrole na gestão financeira
4. Problemas no fluxo de caixa
O relatório aponta inconsistências entre os dados do fluxo de caixa e o balanço financeiro
Na prática, isso indica falhas na transparência e na confiabilidade das informações contábeis.
5. Falhas em documentação obrigatória
Diversos documentos exigidos não foram apresentados, como:
Inventário de bens móveis e imóveis
Relatório completo do controle interno
Cálculo atuarial
Essas falhas são consideradas graves, pois comprometem o controle e a fiscalização dos recursos públicos.
6. Irregularidades previdenciárias
O instituto também apresentou problemas no Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), incluindo:
Certificação vencida
Descumprimento de critérios exigidos pelo sistema previdenciário
Decisão do Tribunal
Diante de todas essas inconsistências, o TCE-AL decidiu:
Julgar irregulares as contas de 2018
Determinar correções nas próximas prestações
Alertar para risco de reincidência
A decisão foi tomada em sessão do pleno do tribunal em agosto de 2023.
O que isso significa na prática?
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| Sede do Instituto Boca da Mata Prev |
A rejeição de contas é uma das decisões mais sérias dentro do controle público. Ela pode indicar:
Má gestão de recursos públicos
Falta de transparência
Descumprimento de normas legais
Além disso, pode gerar consequências administrativas e políticas para os responsáveis.
Mais do que isso, a situação gera insegurança direta para aposentados e pensionistas do município, que dependem desses recursos para sobreviver. Um sistema previdenciário com déficit, falhas de controle e irregularidades reconhecidas aumenta o risco real de atrasos no pagamento de benefícios, comprometendo a estabilidade financeira de centenas de famílias.
Conclusão
O caso do Boca da Mata Prev em 2018 não revela apenas falhas técnicas — ele expõe um cenário de descontrole administrativo, falta de transparência e descaso com o dinheiro público.
Os apontamentos do Tribunal de Contas são claros: déficit milionário, ausência de documentos obrigatórios, inconsistências contábeis e descumprimento de normas legais. Não se trata de um detalhe burocrático, mas de uma gestão que falhou em cumprir o mínimo esperado na administração de recursos previdenciários.
Esse cenário ocorre dentro de um contexto político já conturbado. A gestão do então prefeito Gustavo Feijó foi marcada por crises, incluindo afastamento judicial e investigações conduzidas pelo Ministério Público de Alagoas sobre possíveis irregularidades na administração pública, amplamente repercutidas à época.
Mesmo após o afastamento, quando o vice-prefeito Walter Acioli assumiu a gestão, os problemas estruturais não foram resolvidos. Os indícios apontam que o padrão de desorganização administrativa e fragilidade no controle dos recursos públicos permaneceu.
O resultado disso é o que está registrado oficialmente: contas rejeitadas, irregularidades reconhecidas e um sistema previdenciário fragilizado.
No fim, a leitura é inevitável: não foi apenas uma falha pontual, mas um modelo de gestão que não conseguiu garantir transparência, controle e responsabilidade. E quando isso acontece, quem paga a conta é a população.


Cada um novo escândalo envolvendo essa quadrilha que tomou Boca da Mata de assalto
ResponderExcluirÉ uma vergonha vários funcionários públicos concursados e principalmente aposentados que continuam votando na família Feijó. Tudo isso por causa de emprego pra família ou porque recebe gratificação.
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